Maio/2026: Pesquisa e colaboração na China

Visita a china

Colaborações, pesquisa e interações com a cultura e visões da China sobre música, dança e arte.

Em maio de 2026 estarei visitando algumas cidades e instituições na China, como parte de uma iniciativa de Internacionalização da UEMG, financiada pel FAPEMIG.

Mais detalhes em breve, neste link


Set/2026: Palestrante no 4th Symposium of ICTMD-SoMoS / Lisboa / Portugal

Entre 23-26 de setembro de 2026 estarei no 4o Symposium of the
ICTMD Study Group on Sound, Movement, and the Sciences (SoMoS).

O evento acontece no Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) em Lisboa, Portugal. Mais informações abaixo ou no link https://ictmusic.org/studygroup/somos/post/call-papers-4th-symposium-ictmd-somos

4o Symposium of the
ICTMD Study Group on Sound, Movement, and the Sciences (SoMoS).
Symposium themes:

The ICTMD Study Group on Sound, Movement and the Sciences (SoMoS) aims to bring together scholars whose work combines approaches from ethnomusicology and/or ethnochoreology with those from the sciences – to explore sound and movement in music and dance contexts. Here, the sciences are broadly defined, including but not limited to disciplines such as cognitive science, psychology, linguistics, computer science, statistics, mathematics, biology, physics, and medical science.

We propose that ethnographic/anthropological and science-based approaches can complement each other, producing insights that might be difficult to achieve otherwise. For our fourth official symposium, we welcome proposals on any topic that aligns with the aims and themes of the study group, insofar as they combine ethnographic/anthropological and science-based approaches, explore issues involved in such endeavors, or present reflective discussions on relevant theories and methodologies.

Abstract submission:

Abstracts should not exceed 2,000 characters including spaces (approximately 300 words).

Please submit abstracts, along with a title and the name(s) and affiliation(s) of author(s) through this portal:
https://app.oxfordabstracts.com/stages/80622/submitter.

Guidelines for abstracts: To have the best chance of being accepted, the abstract should include the following:

  • Details of the a) ethnographic or anthropological, and b) science-based or systematic elements present in the research. Papers should include both in order to be considered suitable for presentation at this symposium, as this combination of approaches is the defining feature of the study group.
  • The research question or main argument
  • The methodologies used
  • The results and/or conclusions of the study/paper

Presentation modes and formats:

The symposium will be hybrid, with possible mixed sessions (some papers delivered online and others with author(s) present in Lisbon). Those presenting remotely will be asked to send a pre-recorded video and to participate in an online Q&A session after the video has been played.

In the submission, there will be opportunity to specify your intended presentation mode (on site or remote), if currently known.

Upon submission, you will also be asked to choose from the following formats:

  • Individual paper (20 minutes plus 10 minutes for questions)
  • Panel of three or four papers (30 minutes x number of speakers, either 90 or 120 minutes in total; please submit abstracts for all of the papers as part of a single online submission for the panel)

Submission deadline:

The deadline for submission of abstracts is:
Friday 27 February 2026

Membership and symposium registration:

Membership of SoMoS is not required to participate in this symposium. However, participants must be ICTMD members in good standing at the time of completing symposium registration.

Contact:

Please contact Filippo Bonini Baraldi (fbaraldi@fcsh.unl.pt) for any questions regarding practical matters in Lisbon, or Samuel Horlor (s.p.horlor@durham.ac.uk) for any questions related to the program.

If you have questions concerning the SoMoS Study Group or ICTMD membership, please contact any member of the SoMoS Executive Committee:

SoMoS Executive Committee:

Chair: Kendra Stepputat (kendra-iris.stepputat@kug.ac.at)
Vice-Chair: Lara Pearson (lpearson@uni-koeln.de)
Secretary: Rafael Caro Repetto (Rafael.Caro@uab.cat)

Symposium Local Organising Committee:

Chair: Filippo Bonini Baraldi
Alcina Maria de Oliveira Cortez Mota
Leon Tolentino Bucaretchi
Manuel Diniz Silva
Maria Espírito Santo
Vincent Debut

Symposium Program Committee:

Chair: Samuel Horlor
Anastasiia Mazurenko
Juliano Abramovay
Sayumi Kamata

Read LessRead More

Três obras como compositor

Composições originais para espetáculos de dança

Nos últimos 10 anos produzi muita música — sobretudo para dança. Música original, design sonoro, performances interativas, trilhas para vídeo, projetos comerciais. Sempre em zonas de fronteira, onde os limites entre linguagens não são muito claros. (veja uma lista aqui)

Parte desse percurso só foi possível pela confiança que o campo das artes e da dança depositou na convivência com minha pesquisa, e pelo encontro com pessoas fundamentais: Dudude Herrmann, Ivani Santana, Luciana Paludo e Morgana Mafra.

Essas três composições representam um recorte desse trabalho — com características bastante diversas, mas unidas por um modo de produção que é meu: a escuta atenta ao papel da música na estruturação de obras coreográficas e na experiência multimodal da arte. Toda a textura musical foi desenvolvida, performada ou sequenciada por mim, combinando composição, performance e design sonoro

Valsa para Heloisa (2016)

Composta para o espetáculo de dança “Membranças” (“Direção: Dudude Herrmann, Dança: Heloisa Domingues, Música original: Luiz Naveda”)

Essa peça foi realizada como uma brincadeira improvisacional entre várias linhas melódicas, incorporando uma atmosfera de valsa despretensiosa. Os baixos são pesados, a polifonia se envolve até uma dissolução patética ao final. Existe uma motilidade especial que faz com que seja fascinante dançar com ela.

Valsa Para Heloísa

Vento e Duelo (2023)

Vento e Duelo (2023)

Parte da música original para o espetáculo “Jequitionhonha: origem & gesto” encomendada para a Cia de Dança Do Palácio das Artes. Direção Marco Paulo Rolla

“Vento” e Duelo são um conjunto formado uma seção de design sonoro onde manipulo digitalmente filtros com sensores para produzir um vento controlável, seguidos de um ponteado impreciso de viola – O Duelo. (veja essa parte aqui)

O Duelo foi estruturada para a obra a partir da esboços e gravações da coreografia. Neste tipo de trabalho eu acompanho o desenvolvimento do projeto e coreografia desde o início do projeto e estruturo a trilha como emergência e em paralelo ao pensamento coreográfico. Nessa obra eu toco viola e componho as inserções percussivas.

O Duelo, sobretudo na interpretação de Christiano Castro (Bailarino), é meu diálogo com a estrada, a escolha, o erro, o ambíguo, amor, dinheiro, sarcasmo, oportunidade, morte. Uma das formas expressivas e arquetípicas que se encontra no Jequitionha (e em qualquer existência).

Fragmentações sobre a Sonata para piano n.º 14 de Ludwig van Beethoven (2023)

Composta para o espetáculo de dança Para algum lugar, que [não] sei…. de Dudude Hermann

Essa peça foi composta como um desfiar e desestruturar de um bordado.
Partindo de uma gravação digital (Midi) da Sonata para piano n.º 14 de Beethoven, eu utilizei vários processos de escavação, transformação, reestruturação do material musical da performance para que ela se tornasse um contínuo entre material original e uma fragmentação estéticamente coesa. Para isso foram utilizados, além de processamento digital de dados. uma mecânica muito artesanal de desenho de timbres, durações e alturas.

A peça atinge um apse ao final onde o piano entrega os fragmentos para uma orquestra. Neste sentido ela consiste na apropriação e transformação de um material sonoro (digital) em processos que observo no campo das artes visuais.

Fragmentações sobre a Sonata para piano n.º 14 de Ludwig van Beethoven


Podcast Saber em Movimento / UEMG: Luiz Naveda

Saber em movimento é “O podcast de ciência da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) apresenta as pesquisas desenvolvidas por seus pesquisadores e pesquisadoras. Com atenção à amplitude prática dos trabalhos, atentos a como eles afetam o dia a dia das pessoas, trilhamos por diferentes áreas do conhecimento.”

Neste espisódio eu compartilho um pouco de meu trabalho interdisciplinar que une historiografia, musicologia, iconografia e computação de movimento. O estudo busca resgatar o contexto musical das danças populares, analisando representações visuais e suas conexões com as práticas atuais.


Arquitetura, dança e música

Generating tacit knowledge through motion: A vision on the matter of space

Liselotte Vroman, Sint-Lucas school of architecture, Belgium Thierry Lagrange, Sint-Lucas school of architecture, Belgium Luiz Naveda, University of Ghent, Belgium
Nice work realized in collaboration with Liselotte Vroman in Belgium. Liselotte used transformations of dance performance and movement cues to generate conceptual designs for architecture. See the paper and abstract below.
Paper:
http://www.intellectbooks.co.uk/journals/view-Article,id=14385/ (http://www.intellectbooks.co.uk/journals/view-Article,id=14385/
Este trabalho observa como a experiência corporal do espaço pode informar o design arquitetônico. O projeto de pesquisa investiga como a arquitetura pode ser concebida a partir da experiência incorporada do espaço, com foco especial na dança devido ao seu alto grau de consciência e expressão espacial. Os limites da arquitetura são explorados por meio de métodos empíricos. A experiência espacial relatada é baseada na prática do sujeito, e o estudo pergunta se essa experiência pode ser manipulada ou moldada pelo arquiteto. Os movimentos são considerados como expressões derivadas da experiência incorporada em determinado espaço. Técnicas de análise de movimento são empregadas para tentar capturar essa experiência através do gesto. A pesquisa, ainda em andamento, objetiva gerar propostas arquitetônicas baseadas na compreensão do conhecimento tácito resultante da visualização do espaço.
More info:
http://www.sintlucas.analogousspaces.be/


Chamada aberta – CCL 18 | Choreographic Coding Lab em Belo Horizonte

CCL 18 | Choreographic Coding Lab em Belo Horizonte

18 a 22 de agosto de 2025

Centro de Referência da Dança & Teatro Marília – Belo Horizonte, MG

O Corpuslab (UEMG) convida artistas, coreógrafos, pesquisadores, tecnólogos, músicos e criadores interdisciplinares a participarem da 18ª edição do Choreographic Coding Lab (CCL), uma residência internacional voltada para a experimentação entre movimento, tecnologia, práticas corporificadas e saberes culturais.

Coordenado por Luiz Naveda (Corpuslab/UEMG/PPGARTES) e coorganizado por Gabriela Christófaro (UFMG), o evento conta com o apoio do Motion Bank (Mainz University of Applied Sciences), da FAPEMIG. Participam também os pesquisadores associados ao Motion Bank Anton Koch e Jorge Guevara.

O CCL 18 é um espaço de intercâmbio entre arte, ciência e cultura. A programação inclui laboratórios abertos, sessões coreográficas, práticas experimentais, atividades públicas e uma mostra final. Ao término da residência, será publicado um caderno digital de resumos, e alguns projetos poderão integrar formatos alternativos de publicação artística.

Inscrições abertas até 15 de junho de 2025

Inscrições até 30 de junho

Formulário de inscrição: https://choreographiccoding.org/calls#call423

Informações: luiz.naveda@uemg.br

Idiomas de trabalho: português, inglês e espanhol

Participação gratuita


Organização

Prof. Dr. Luiz Naveda – UEMG (Escola de Música / Corpuslab / Programa de Pós-Graduação em Artes – PPGARTES)

Profª. Drª. Gabriela Christófaro – UFMG (Programa de Pós-Graduação em Dança)

Em colaboração com o Motion Bank – Mainz University of Applied Sciences

Com apoio da UEMG, UFMG e FAPEMIG

Colaboradoras: Drª. Júlia Abs e Drª. Thembi Rosa


Referências e Recursos

• Motion Bank Lab Brazil 2019: https://scores.motionbank.org/brazillab2019/#/

• CCL Belo Horizonte 2016: https://choreographiccoding.org/#/lab/51-belo-horizonte-2016

• Motion Bank: https://motionbank.org/

• Corpuslab Research Group: https://www.corpuslab.info

• Centro de Referência da Dança: https://prefeitura.pbh.gov.br/fundacao-municipal-de-cultura/centros-de-referencia/danca

• Teatro Marília: https://prefeitura.pbh.gov.br/fundacao-municipal-de-cultura/teatros/marilia

• Cidade de Belo Horizonte: https://en.wikivoyage.org/wiki/Belo_Horizonte

Apoio:

Galeria


Paisagens Sonoras: Compondo com a Cidade em "Você perto..."

Gravada com sons da cidade de Belo Horizonte gravados em 2023 (Gravador ambisônico H3, centro da cidade) e falas dos bailarinos da companhia de dança do Palácio das Artes
Parte do espetáculo de dança “Você perto…” – Cia de Dança do Palácio das Artes
Coreógrafo: Henrique Rodovalho
Música Original: Luiz Naveda

Captura de áudio da cidade em formato ambisônico.

Essa faixa reúne duas partes fundamentais da trilha sonora, posicionadas logo no início do espetáculo. A primeira começa com sons de passos urbanos captados no centro de Belo Horizonte, que vão se fundindo até alcançar um clímax intenso por volta do primeiro minuto. A partir desse ponto, emerge uma atmosfera inspirada na obra do artista Rodovário: acordes suaves criam um espaço sonoro que parece convidar os bailarinos a um voo lento no palco — com giros, torções e um tom introspectivo.

O destaque técnico dessa parte está no timbre do contrabaixo, moldado com extremo cuidado. Há uma textura propositalmente “suja” que exigiu ajustes em microtempos, refinando cada ataque do sintetizador grave para criar pequenas variações rítmicas — uma abordagem artesanal que remete ao detalhamento da música clássica contemporânea.

Ao longo da faixa, sons de respiração captados em ensaios reais de dança foram incorporados à composição, como se a trilha carregasse a memória física do processo criativo. Essas onomatopeias funcionam como metáforas de movimento, antecipando a segunda parte da música, em que cada valência expressiva dos corpos em cena começa a se revelar.

Esses gestos sonoros são, mais do que sons, manifestações de uma identidade coreográfica profundamente corporal — onde os dançarinos não apenas interpretam, mas inscrevem suas singularidades no espaço sonoro e visual da obra.


Iconografia incorporada: um estudo de caso sobre métodos para recuperação do contexto musical em imagens da capoeira

 

Este artigo explora uma abordagem interdisciplinar que integra historiografia, musicologia, iconografia e computação de movimento para investigar as interações entre música, corpo e representação visual. Introduz o conceito de “iconografia incorporada”, que busca interpretar imagens históricas não apenas como documentos visuais, mas como vestígios das dinâmicas corporais e musicais dos contextos em que foram criadas. A partir da análise de posturas corporais em representações iconográficas do século XIX relacionadas à capoeira e sua comparação com gravações de movimento contemporâneas, o estudo revela como os corpos representados nas imagens podem refletir práticas musicais e coreográficas complexas, exibindo as distorções do discurso colonial. Ao relacionar dados históricos e tecnológicos, o estudo destaca a importância dos estudos sobre a corporeidade na reconstrução de contextos culturais e contribui para a descolonização dos estudos historiográficos e musicológicos, oferecendo novas perspectivas sobre as práticas culturais afro-brasileiras.

https://periodicos.ufrn.br/artresearchjournal/article/view/33192

Palavras-chave: corpo; iconografia; diáspora africana; movimento humano; capoeira.

 
 

 

O que é iconografia incorporada?

A “iconografia incorporada” é um conceito que busca interpretar imagens históricas de forma a entender não apenas o conteúdo visual explícito, mas também os aspectos corporais, musicais e culturais implícitos nelas. Esse conceito propõe que as imagens possam ser vistas como vestígios das dinâmicas corporais e musicais dos contextos em que foram criadas. Em vez de ver as representações visuais apenas como documentos estáticos, a iconografia incorporada tenta recuperar as interações corporais e coreográficas que essas imagens podem sugerir.

 

No estudo de caso da capoeira, por exemplo, a iconografia incorporada usa imagens de posturas e gestos corporais retratados no século XIX para comparar com movimentos capturados de capoeiristas contemporâneos. Isso permite que as imagens sejam analisadas como “documentos musicais” que carregam aspectos da prática cultural, permitindo uma leitura que considera o movimento, a música e as posturas dos corpos ali representados. Essa abordagem permite acessar uma camada mais profunda de significado, onde o corpo representado na imagem se torna um canal de interpretação de contextos culturais e musicais passados.

Conceitos importantes desenvolvidos no artigo

1. Iconografia incorporada: Abordagem que interpreta imagens históricas como registros de dinâmicas corporais e musicais.

2. Corporeidade: Análise do corpo como elemento central na reconstrução de contextos culturais e musicais.

3. Descolonização: Revisão crítica dos estudos históricos e musicais para superar distorções do olhar colonial.

4. Interdisciplinaridade: Integração de história, música, arte e tecnologia para entender melhor a relação entre corpo e cultura.

Luiz Naveda, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)

Luiz Naveda é doutor em Ciências da Arte (2011, Ghent University), mestre em Música pela UFMG e bacharel em Música (violão) pela UEMG. Professor permanente da Universidade do Estado de Minas Gerais e do Programa de Pós-graduação em Artes da mesma instituição, Naveda dedica-se à investigação das relações entre dança, música e representações visuais, com ênfase nas humanidades digitais. Sua pesquisa combina métodos de recuperação de dados musicais (MIR), análise de movimento e abordagens das ciências cognitivas para explorar a intersecção entre corpo, música e iconografia, especialmente em contextos afro-brasileiros como a capoeira. Além de sua atuação acadêmica, é performer, compositor e designer, criando trilhas sonoras, instalações e multimídia para espetáculos e projetos de arte digital. Atualmente, coordena o grupo de pesquisa Corpuslab, onde explora as relações entre corpo, música e tecnologia no contexto das artes.

Loque Arcanjo, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)

Loque Arcanjo Junior é doutor e mestre em História Social da Cultura pela UFMG, com especialização em História da Cultura e da Arte. Realizou pós-doutorado em Música e Cultura pela Escola de Música da UFMG. Atualmente, é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Artes e professor do Departamento de Teoria Musical da UEMG, onde desenvolve pesquisas nas áreas de Música e História. Vinculado aos grupos de pesquisa PAMVILLA (ECA/USP) e Corpuslab (UEMG), também atua em conselhos e comitês da UEMG. Coordena projetos financiados pelo CNPq sobre música afro-brasileira e a internacionalização da obra de Villa-Lobos. É autor de livros sobre Villa-Lobos e música brasileira, incluindo A Genialidade de Villa-Lobos (2022), As Identidades Musicais de Heitor Villa-Lobos (2016), e O ritmo da mistura e o compasso da História (2008). Leciona disciplinas como História da Arte, História da Música Brasileira e Antropologia Cultural.

 


Explorando o Groove no Samba Afro-brasileiro: O Papel do Contrabaixo Elétrico

Manasses Morais de Arruda e Luiz Naveda publicam estudo inovador sobre o groove no samba. A pesquisa revela como o contrabaixo elétrico constrói a fluidez rítmica essencial para o gênero, contribuindo significativamente para a musicologia e a prática musical.

 

O conceito de groove é central para a criação de performances envolventes no samba afro-brasileiro, sendo frequentemente associado a uma sensação rítmica que instiga o movimento e a dança. Em uma pesquisa conduzida por Manasses Morais de Arruda e Luiz Naveda, publicada recentemente, os autores investigaram como o groove é construído através das linhas de contrabaixo no samba.

O estudo envolveu 19 contrabaixistas profissionais que improvisaram sobre uma estrutura harmônica definida, permitindo uma análise detalhada das técnicas e abordagens interpretativas. Os resultados mostraram que o groove no contrabaixo é criado por uma combinação de recursos técnicos, como ghost notes, slaps e staccato, que enriquecem a textura rítmica da música e conferem fluidez à performance.

O que é groove? Se você curte música, já deve ter ouvido falar desse termo que faz a gente balançar ao som das batidas. Mas sabia que no samba, o groove também nasce das linhas de contrabaixo? No samba, as micro variações rítmicas dão aquele toque orgânico e fluido que faz toda a diferença. É o que os estudiosos chamam de “suingado”. Não é só um ritmo, é uma experiência musical que conecta corpo e som. Quer saber mais? Mergulhe no universo do groove e descubra como o contrabaixo define esse swing que todo mundo sente!

#Samba #Groove #MúsicaBrasileira #Contrabaixo #Suingue

Um dos aspectos mais reveladores do estudo foi a análise da Figura 5, que ilustra a utilização dos recursos técnicos ao longo do tempo durante as execuções dos contrabaixistas. Este gráfico destaca a variabilidade de formas como os músicos constroem suas linhas de baixo, mostrando que alguns preferem uma abordagem mais constante e linear, enquanto outros utilizam uma vasta gama de recursos de maneira mais dinâmica e variada ao longo da performance.

 

Figura 5: Utilização dos recursos técnicos ao longo das execuções de linhas de baixo para os 19 participantes do estudo.

Além disso, a Figura 8 oferece insights valiosos sobre a distribuição dos recursos técnicos em diferentes posições métricas no compasso. A figura mostra que técnicas como o pizzicato e ghost notes são utilizadas de maneira bastante uniforme, mas com uma tendência significativa de ghost notes aparecerem em posições contramétricas. Essa escolha contribui para a criação de um groove que é tanto fluido quanto ritmicamente interessante, explorando o contraste entre a precisão métrica e as variações expressivas.

 

Figura 8: Distribuição de recursos por posição métrica nas subdivisões de ¼ de tempo no compasso binário.

Essa pesquisa se alinha com as linhas de estudo do CorpusLab, que foca na interseção entre teoria musical, prática performática e análise computacional. O estudo de Arruda e Naveda exemplifica o uso de ferramentas de visualização de dados para mapear e entender padrões musicais, contribuindo para o avanço da musicologia do samba e explorando como a microvariação temporal e a escolha de técnicas influenciam o groove. Esse enfoque multidisciplinar é central para as investigações do CorpusLab, que busca integrar a análise quantitativa e qualitativa na compreensão de fenômenos musicais complexos.

Para mais detalhes, o artigo completo pode ser acessado na revista Per Musi.


Projeto IconoDiáspora

"Imagens, música e dança da diáspora Africana no Brasil."

Projeto "Organização de um banco de dados de imagens e textos sobre as representações de música e dança afro-Brasileira" CNPq (420106/2021-9)

Projeto contemplado pelo edital Universal CNPq 2022 - Grupo de Pesquisa Corpuslab

Recursos: R$ 56.200,00 ( Bolsas, Material Permanente, Custeio)

  • Equipe:
    • Prof. Dr. Loque Arcanjo (Coordenação)
    • Prof. Dr. Luiz Naveda
    • Profa. Dra. Marília Nunes-Silva
    • Estudantes de pós-graduação:
      • Anna Beatriz Vieira Muniz Donatelli
      • Igor Vieira e Sá Tolentino
      • Emanuel Schuchter
  • Métodos e processos
    • Iconografia e iconologia
    • Historiografia
    • Machine Learning e e análise textual computacional
    • Anotação de imagem auxiliada por computador
    • Bancos de dados relacionais
    • Data visualisation
  • Resultados esperados
    • Bancos de dados públicos
    • Análises de bancos de imagens, textos e relacionamentos
    • Artigos em jornais e conferências
    • Novos métodos, ensino e extensão

Novidades:

  • Início do projeto!

Resumo

Frequentemente confundimos a ideia de conhecimento com algo que está escrito ou que é oficial. Os documentos que nos restaram para conhecer a herança cultural Africana no Brasil incluem depoimentos, textos e imagens que mostram os traços da ação de pessoas negras no passado. Mas estes documentos que restaram não são neutros. Eles refletem frequentemente uma opinião do colonizador escravocrata, uma (in)capacidade de tocar, ouvir, dançar e agir em relação à outra cultura e uma seleção do que vai ser ou não documentado.

Mas a cultura não é só texto, e o conjunto da herança de tradições orais, musicais, coreográficas permaneceu, carregada de corpo em corpo pelas tradições incorporadas. Como refazer essa jornada sem usar a lente, o texto e o corpo do colonizador?

Neste projeto construímos um mapa dos traços da herança Africana na música e dança no Brasil a partir de um conjunto de textos, imagens e da identificação do viés do colonizador. Na tentativa de identificar relações não documentadas, uma base de dados relacionará não só textos, mas as pessoas, suas lentes, suas imagens e seus corpos, utilizando tecnologias de análise textual e análise de imagem para estabelecer relações mais destacadas dos interlocutores durante a formação da cultura Afrodiaspórica no Brasil. A base de dados e novos métodos serão disponibilizados durante o projeto.

O olhar (e os ouvidos) do colonizador

Um dos desafios para estudar como a diáspora Africana fundamentou a riqueza da música e dança das Américas é lidar com a limitação cognitiva, eugenia e crueldade dos documentos escritos, selecionados e mantidos por agentes colônias. Um relato do Conde Eugenio de Robiano em 1870 (Fryer, 2000), demonstra como estes documentos informam sobre a cultura da diáspora no final do Sec. XIX:

Os relatos do conde Eugenio de Robiano reproduzidos acima demonstram a incapacidade do colonizador perceber a estrutura métrica de uma dança participativa ("mesma figura", "acompanhamento dos participantes"), a incapacidade de cogitar outras escalas musicais ("fora do tom") e a incapacidade de entender o a ginga codificada no tecido da estrutura musical ("mais ou menos em tempo") .

O quê estes documentos de época refletem?

Os documentos que nos restaram para conhecer a herança cultural Africana no Brasil incluem depoimentos, textos e imagens que mostram os traços da ação de pessoas negras na cultura. Mas estes documentos que restaram não são neutros. Eles refletem frequentemente uma opinião do colonizador, uma (in)capacidade de tocar, ouvir, dançar e agir em relação à outra cultura e uma seleção do que vai ser ou não documentado. Mas a cultura não é só texto, e o conjunto da herança de tradições orais, musicais, coreográficas permaneceu, carregada de corpo em corpo pelas tradições.

Como refazer essa jornada sem usar a lente, o texto e o corpo do colonizador?

Neste projeto construímos um mapa dos traços da herança Africana na música e dança no Brasil a partir de um conjunto de textos, imagens e da identificação do olhar do colonizador. Na tentativa de identificar relações não documentadas, uma base de dados relacionará não só textos, mas as pessoas, suas lentes, suas imagens e seus corpos, utilizando tecnologias de análise textual e análise de imagem para estabelecer relações mais destacadas do olhar colonizador. A base de dados será disponibilizada para outros pesquisadores ao final do projeto.

 

Resultados esperados

  • Bancos de dados públicos
  • Análises de bancos de imagens, textos e relacionamentos
  • Artigos em jornais e conferências
  • Novos métodos, ensino e extensão

Participe!

Entre em contato!

Trabalhe com a gente.

Colabore com as ações do projeto!

Contato


Privacy Preference Center