Composições originais para espetáculos de dança

Nos últimos 10 anos produzi muita música — sobretudo para dança. Música original, design sonoro, performances interativas, trilhas para vídeo, projetos comerciais. Sempre em zonas de fronteira, onde os limites entre linguagens não são muito claros. (veja uma lista aqui)

Parte desse percurso só foi possível pela confiança que o campo das artes e da dança depositou na convivência com minha pesquisa, e pelo encontro com pessoas fundamentais: Dudude Herrmann, Ivani Santana, Luciana Paludo e Morgana Mafra.

Essas três composições representam um recorte desse trabalho — com características bastante diversas, mas unidas por um modo de produção que é meu: a escuta atenta ao papel da música na estruturação de obras coreográficas e na experiência multimodal da arte. Toda a textura musical foi desenvolvida, performada ou sequenciada por mim, combinando composição, performance e design sonoro

Valsa para Heloisa (2016)

Composta para o espetáculo de dança “Membranças” (“Direção: Dudude Herrmann, Dança: Heloisa Domingues, Música original: Luiz Naveda”)

Essa peça foi realizada como uma brincadeira improvisacional entre várias linhas melódicas, incorporando uma atmosfera de valsa despretensiosa. Os baixos são pesados, a polifonia se envolve até uma dissolução patética ao final. Existe uma motilidade especial que faz com que seja fascinante dançar com ela.

Valsa Para Heloísa

Vento e Duelo (2023)

Vento e Duelo (2023)

Parte da música original para o espetáculo “Jequitionhonha: origem & gesto” encomendada para a Cia de Dança Do Palácio das Artes. Direção Marco Paulo Rolla

“Vento” e Duelo são um conjunto formado uma seção de design sonoro onde manipulo digitalmente filtros com sensores para produzir um vento controlável, seguidos de um ponteado impreciso de viola – O Duelo. (veja essa parte aqui)

O Duelo foi estruturada para a obra a partir da esboços e gravações da coreografia. Neste tipo de trabalho eu acompanho o desenvolvimento do projeto e coreografia desde o início do projeto e estruturo a trilha como emergência e em paralelo ao pensamento coreográfico. Nessa obra eu toco viola e componho as inserções percussivas.

O Duelo, sobretudo na interpretação de Christiano Castro (Bailarino), é meu diálogo com a estrada, a escolha, o erro, o ambíguo, amor, dinheiro, sarcasmo, oportunidade, morte. Uma das formas expressivas e arquetípicas que se encontra no Jequitionha (e em qualquer existência).

Fragmentações sobre a Sonata para piano n.º 14 de Ludwig van Beethoven (2023)

Composta para o espetáculo de dança Para algum lugar, que [não] sei…. de Dudude Hermann

Essa peça foi composta como um desfiar e desestruturar de um bordado.
Partindo de uma gravação digital (Midi) da Sonata para piano n.º 14 de Beethoven, eu utilizei vários processos de escavação, transformação, reestruturação do material musical da performance para que ela se tornasse um contínuo entre material original e uma fragmentação estéticamente coesa. Para isso foram utilizados, além de processamento digital de dados. uma mecânica muito artesanal de desenho de timbres, durações e alturas.

A peça atinge um apse ao final onde o piano entrega os fragmentos para uma orquestra. Neste sentido ela consiste na apropriação e transformação de um material sonoro (digital) em processos que observo no campo das artes visuais.

Fragmentações sobre a Sonata para piano n.º 14 de Ludwig van Beethoven

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