Podcast Saber em Movimento / UEMG: Luiz Naveda
Saber em movimento é “O podcast de ciência da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) apresenta as pesquisas desenvolvidas por seus pesquisadores e pesquisadoras. Com atenção à amplitude prática dos trabalhos, atentos a como eles afetam o dia a dia das pessoas, trilhamos por diferentes áreas do conhecimento.”
Neste espisódio eu compartilho um pouco de meu trabalho interdisciplinar que une historiografia, musicologia, iconografia e computação de movimento. O estudo busca resgatar o contexto musical das danças populares, analisando representações visuais e suas conexões com as práticas atuais.
Chamada aberta – CCL 18 | Choreographic Coding Lab em Belo Horizonte
CCL 18 | Choreographic Coding Lab em Belo Horizonte
18 a 22 de agosto de 2025
Centro de Referência da Dança & Teatro Marília – Belo Horizonte, MG
O Corpuslab (UEMG) convida artistas, coreógrafos, pesquisadores, tecnólogos, músicos e criadores interdisciplinares a participarem da 18ª edição do Choreographic Coding Lab (CCL), uma residência internacional voltada para a experimentação entre movimento, tecnologia, práticas corporificadas e saberes culturais.
Coordenado por Luiz Naveda (Corpuslab/UEMG/PPGARTES) e coorganizado por Gabriela Christófaro (UFMG), o evento conta com o apoio do Motion Bank (Mainz University of Applied Sciences), da FAPEMIG. Participam também os pesquisadores associados ao Motion Bank Anton Koch e Jorge Guevara.
O CCL 18 é um espaço de intercâmbio entre arte, ciência e cultura. A programação inclui laboratórios abertos, sessões coreográficas, práticas experimentais, atividades públicas e uma mostra final. Ao término da residência, será publicado um caderno digital de resumos, e alguns projetos poderão integrar formatos alternativos de publicação artística.
Inscrições abertas até 15 de junho de 2025
Inscrições até 30 de junho
Formulário de inscrição: https://choreographiccoding.org/calls#call423
Informações: luiz.naveda@uemg.br
Idiomas de trabalho: português, inglês e espanhol
Participação gratuita
Organização
• Prof. Dr. Luiz Naveda – UEMG (Escola de Música / Corpuslab / Programa de Pós-Graduação em Artes – PPGARTES)
• Profª. Drª. Gabriela Christófaro – UFMG (Programa de Pós-Graduação em Dança)
Em colaboração com o Motion Bank – Mainz University of Applied Sciences
Com apoio da UEMG, UFMG e FAPEMIG
Colaboradoras: Drª. Júlia Abs e Drª. Thembi Rosa
Referências e Recursos
• Motion Bank Lab Brazil 2019: https://scores.motionbank.org/brazillab2019/#/
• CCL Belo Horizonte 2016: https://choreographiccoding.org/#/lab/51-belo-horizonte-2016
• Motion Bank: https://motionbank.org/
• Corpuslab Research Group: https://www.corpuslab.info
• Centro de Referência da Dança: https://prefeitura.pbh.gov.br/fundacao-municipal-de-cultura/centros-de-referencia/danca
• Teatro Marília: https://prefeitura.pbh.gov.br/fundacao-municipal-de-cultura/teatros/marilia
• Cidade de Belo Horizonte: https://en.wikivoyage.org/wiki/Belo_Horizonte
Apoio:



Galeria







Explorando o Groove no Samba Afro-brasileiro: O Papel do Contrabaixo Elétrico
Manasses Morais de Arruda e Luiz Naveda publicam estudo inovador sobre o groove no samba. A pesquisa revela como o contrabaixo elétrico constrói a fluidez rítmica essencial para o gênero, contribuindo significativamente para a musicologia e a prática musical.
O conceito de groove é central para a criação de performances envolventes no samba afro-brasileiro, sendo frequentemente associado a uma sensação rítmica que instiga o movimento e a dança. Em uma pesquisa conduzida por Manasses Morais de Arruda e Luiz Naveda, publicada recentemente, os autores investigaram como o groove é construído através das linhas de contrabaixo no samba.
O estudo envolveu 19 contrabaixistas profissionais que improvisaram sobre uma estrutura harmônica definida, permitindo uma análise detalhada das técnicas e abordagens interpretativas. Os resultados mostraram que o groove no contrabaixo é criado por uma combinação de recursos técnicos, como ghost notes, slaps e staccato, que enriquecem a textura rítmica da música e conferem fluidez à performance.
O que é groove? Se você curte música, já deve ter ouvido falar desse termo que faz a gente balançar ao som das batidas. Mas sabia que no samba, o groove também nasce das linhas de contrabaixo? No samba, as micro variações rítmicas dão aquele toque orgânico e fluido que faz toda a diferença. É o que os estudiosos chamam de “suingado”. Não é só um ritmo, é uma experiência musical que conecta corpo e som. Quer saber mais? Mergulhe no universo do groove e descubra como o contrabaixo define esse swing que todo mundo sente!
Um dos aspectos mais reveladores do estudo foi a análise da Figura 5, que ilustra a utilização dos recursos técnicos ao longo do tempo durante as execuções dos contrabaixistas. Este gráfico destaca a variabilidade de formas como os músicos constroem suas linhas de baixo, mostrando que alguns preferem uma abordagem mais constante e linear, enquanto outros utilizam uma vasta gama de recursos de maneira mais dinâmica e variada ao longo da performance.

Figura 5: Utilização dos recursos técnicos ao longo das execuções de linhas de baixo para os 19 participantes do estudo.
Além disso, a Figura 8 oferece insights valiosos sobre a distribuição dos recursos técnicos em diferentes posições métricas no compasso. A figura mostra que técnicas como o pizzicato e ghost notes são utilizadas de maneira bastante uniforme, mas com uma tendência significativa de ghost notes aparecerem em posições contramétricas. Essa escolha contribui para a criação de um groove que é tanto fluido quanto ritmicamente interessante, explorando o contraste entre a precisão métrica e as variações expressivas.

Figura 8: Distribuição de recursos por posição métrica nas subdivisões de ¼ de tempo no compasso binário.
Essa pesquisa se alinha com as linhas de estudo do CorpusLab, que foca na interseção entre teoria musical, prática performática e análise computacional. O estudo de Arruda e Naveda exemplifica o uso de ferramentas de visualização de dados para mapear e entender padrões musicais, contribuindo para o avanço da musicologia do samba e explorando como a microvariação temporal e a escolha de técnicas influenciam o groove. Esse enfoque multidisciplinar é central para as investigações do CorpusLab, que busca integrar a análise quantitativa e qualitativa na compreensão de fenômenos musicais complexos.
Para mais detalhes, o artigo completo pode ser acessado na revista Per Musi.

Projeto IconoDiáspora
"Imagens, música e dança da diáspora Africana no Brasil."

Projeto "Organização de um banco de dados de imagens e textos sobre as representações de música e dança afro-Brasileira" CNPq (420106/2021-9)
Projeto contemplado pelo edital Universal CNPq 2022 - Grupo de Pesquisa Corpuslab
Recursos: R$ 56.200,00 ( Bolsas, Material Permanente, Custeio)
- Equipe:
- Prof. Dr. Loque Arcanjo (Coordenação)
- Prof. Dr. Luiz Naveda
- Profa. Dra. Marília Nunes-Silva
- Estudantes de pós-graduação:
- Anna Beatriz Vieira Muniz Donatelli
- Igor Vieira e Sá Tolentino
- Emanuel Schuchter
- Métodos e processos
- Iconografia e iconologia
- Historiografia
- Machine Learning e e análise textual computacional
- Anotação de imagem auxiliada por computador
- Bancos de dados relacionais
- Data visualisation
- Resultados esperados
- Bancos de dados públicos
- Análises de bancos de imagens, textos e relacionamentos
- Artigos em jornais e conferências
- Novos métodos, ensino e extensão
Novidades:
- Início do projeto!
Resumo
Frequentemente confundimos a ideia de conhecimento com algo que está escrito ou que é oficial. Os documentos que nos restaram para conhecer a herança cultural Africana no Brasil incluem depoimentos, textos e imagens que mostram os traços da ação de pessoas negras no passado. Mas estes documentos que restaram não são neutros. Eles refletem frequentemente uma opinião do colonizador escravocrata, uma (in)capacidade de tocar, ouvir, dançar e agir em relação à outra cultura e uma seleção do que vai ser ou não documentado.
Mas a cultura não é só texto, e o conjunto da herança de tradições orais, musicais, coreográficas permaneceu, carregada de corpo em corpo pelas tradições incorporadas. Como refazer essa jornada sem usar a lente, o texto e o corpo do colonizador?
Neste projeto construímos um mapa dos traços da herança Africana na música e dança no Brasil a partir de um conjunto de textos, imagens e da identificação do viés do colonizador. Na tentativa de identificar relações não documentadas, uma base de dados relacionará não só textos, mas as pessoas, suas lentes, suas imagens e seus corpos, utilizando tecnologias de análise textual e análise de imagem para estabelecer relações mais destacadas dos interlocutores durante a formação da cultura Afrodiaspórica no Brasil. A base de dados e novos métodos serão disponibilizados durante o projeto.

O olhar (e os ouvidos) do colonizador
Um dos desafios para estudar como a diáspora Africana fundamentou a riqueza da música e dança das Américas é lidar com a limitação cognitiva, eugenia e crueldade dos documentos escritos, selecionados e mantidos por agentes colônias. Um relato do Conde Eugenio de Robiano em 1870 (Fryer, 2000), demonstra como estes documentos informam sobre a cultura da diáspora no final do Sec. XIX:

Os relatos do conde Eugenio de Robiano reproduzidos acima demonstram a incapacidade do colonizador perceber a estrutura métrica de uma dança participativa ("mesma figura", "acompanhamento dos participantes"), a incapacidade de cogitar outras escalas musicais ("fora do tom") e a incapacidade de entender o a ginga codificada no tecido da estrutura musical ("mais ou menos em tempo") .
O quê estes documentos de época refletem?
Os documentos que nos restaram para conhecer a herança cultural Africana no Brasil incluem depoimentos, textos e imagens que mostram os traços da ação de pessoas negras na cultura. Mas estes documentos que restaram não são neutros. Eles refletem frequentemente uma opinião do colonizador, uma (in)capacidade de tocar, ouvir, dançar e agir em relação à outra cultura e uma seleção do que vai ser ou não documentado. Mas a cultura não é só texto, e o conjunto da herança de tradições orais, musicais, coreográficas permaneceu, carregada de corpo em corpo pelas tradições.
Como refazer essa jornada sem usar a lente, o texto e o corpo do colonizador?

Neste projeto construímos um mapa dos traços da herança Africana na música e dança no Brasil a partir de um conjunto de textos, imagens e da identificação do olhar do colonizador. Na tentativa de identificar relações não documentadas, uma base de dados relacionará não só textos, mas as pessoas, suas lentes, suas imagens e seus corpos, utilizando tecnologias de análise textual e análise de imagem para estabelecer relações mais destacadas do olhar colonizador. A base de dados será disponibilizada para outros pesquisadores ao final do projeto.
Resultados esperados
- Bancos de dados públicos
- Análises de bancos de imagens, textos e relacionamentos
- Artigos em jornais e conferências
- Novos métodos, ensino e extensão
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Candomblé, danças e uma perspectiva tecnológica Africana
Em 2019 o Corpuslab recebeu a visita da pesquisadora Olabanke Oyinkansola Goriola ou Oyin, como a chamamos. Oyin é uma pesquisadora e dançarina Nigeriana, mestre pelo Erasmus Mundus Joint Master Degree (Choreomundus) na NTNU Trondheim (Mestrado em Antropologia da dança) e desenvolveu sua pesquisa de campo junto ao professor Luiz Naveda e grupo Corpuslab.
Oyin conheceu o trabalho do professor e do Corpuslab durante um workshop sobre movimento, música e dança que o Professor Luiz Naveda ministrou em seu curso de Mestrado em Antropologia em Trondheim (Noruega). A partir daí, o trabalho se desenvolveu na direção de utilizar métodos de captura e descrição de dança e música desenvolvidos no Corpuslab para observar as danças que a diáspora Africana trouxeram para o Brasil.
Candomblé, música e tecnologia
Durante a pesquisa de campo em conjunto, realizamos gravações Kilombo Manzo , nosso parceiro em vários projetos além de outras atividades, incluindo dezenas de capturas de movimento nos terreiros de candomblé de Belo Horizonte. Sua estadia representou uma oportunidade rara de promover o olhar de uma bailarina Africana sobre a diáspora Ketu e Bantu nas tradições Afro-Brasileiras no Brasil.
O trabalho teve como objetivo “compreender como os movimentos dos Orishas explicam as personalidades humanas que lhes estão ligadas” e levou em conta entrevistas e uma fascinante abordagem de análise de movimentos na formulação de padrões de dança encontrados nas danças dos Orishas.
Sua dissertação “Dancing Orishas: An analysis of the personalities of the Afro-Brazilian Candomble Ogun, Oshun and Oya” (2020) foi orientada por Georgiana Wierre-Gore e contou com o trabalho realizado junto ao professor Luiz Naveda
Observando o movimento
Abaixo, algumas das análises que desenvolvemos em conjunto. Em breve publicaremos o trabalho da Oyin e outros desenvolvimentos.

Análise de velocidade das mãos em uma seguencia da dança de Ogum . LInhas mais vermelhas e mais espessas indica uma trajetória mais rápida.
Comparação entre um excerto de danças de Ogum. Esquerda: tradição Bantu. Direita: tradição Ketu
Comparação entre as duas tradições de danças (Ogun) a partir os padrões estimados de energia estimada no corpo. As figuras representam o movimento dos bailarinos capturados com um sistema de captura de movimento. Os gráficos indicam os eventos sonoros em cada dança (inferior) e os padrões de energia em cada extremidade do corpo. Vermelho = Cassia/Bantu (figura esq/superior) Azul = Weider/Ketu (figura esq/inferior)







